A beleza distante

06/08/2011




Pai, é tão lindo!
O pai envolveu o filho num cálido abraço e apontou para o firmamento.
 – Eu te falei que era. Lá onde a paisagem acaba e se une ao céu mora o encanto mais especial do mundo.
Mas é tão longe pai!
O menino apertou os olhos e fixou-os no horizonte. O que se via era muitos jardins cercados por lindos e cristalinos rios, e um céu alaranjado de fim de tarde decorado com a beleza imponente do astro rei. Era lindíssimo e de difícil descrição. A vista dali era prazerosa e encantadora. O garoto sentiu um arrepio e uma paz muito grande no coração.

Porque ela não está mais perto? Ele sorria enquanto abraçava mais forte o pai.
O pai então segurando a mão dele, disse:
Esta beleza só pode ser vista de longe filho.
O garoto parecia não se contentar em estar longe. Queria ver de perto. Queria poder abraçar a beleza.
Ah! Que chato! Por que existe a distância hein?
Filho, algumas belezas são tão imensas que só são vistas de bem longe. São tão grandiosas que só cabem naquele lugar em que céu e terra se colidem. É para isso que existe a distância, para você vislumbrar a beleza que você não enxergaria de perto e não caberia nos olhos. ­Enquanto ele dizia aquilo, ele acariciava os cabelos do filho, e sorria amavelmente para o horizonte, adornado com uma beleza magistral.

E completou, apontando o coração dele:
Filho, aprenda a amar a distância. Ela sempre te mostrará encantos que não são visíveis de perto. Isso vale para pessoas também. Por mais que a ausência doa e a saudade aperte, às vezes distante é que tu descobres valores e qualidades essenciais em alguém.
O garoto sorriu e entendeu. Pareceu contente com as palavras do pai e então pronunciou com doçura:

Te amo pai! Mas não quero que fique longe de mim nunca tá?
O pai deu um riso alto e acariciou o filho com muito afeto.
Está bem campeão. De longe eu sou feio mesmo.
Os dois deram uma gargalhada bem humorada e gostosa de ouvir. Abraçaram-se e continuaram ali vislumbrando a paisagem ao horizonte.




Aspas do Autor: Finalmente a inspiração me visitou um pouco para que eu compusesse este conto bonito. E confesso que amei. Escrevê-la me comoveu bastante. Bem, no mais é outro mês começando e o selinho e recomendação do mês vai para uma amiga muito amada por mim, uma pessoa que está comigo desde que me conheço blogueiro. Uma das minhas amigas mais antigas deste mundo virtual. Uma das que mais admiro, e mais reservo o meu afeto. É a Carol, do Expresso para dois. Vale a pena conhecer ela. E como. Carol, te adoro!

13 comentários:

Ataniel Santos disse...

Que conto emocionante! O pai com todo o seu amor, soube ensinar ao filho, que nem tudo é visto de perto. Ele precisa ser paciente, e olhar de longe as belezas da vida.
Que um dia, sofrerá com a distância, mesmo que doa no coração.
Um grande abraço,
Ataniel.

Gabi disse...

É, gostar das pessoas é melhor assim pertinho, já é triste o suficiente ter uma família assim pela metade, mesmo que a metade restante seja amada e ame por dois.
E você me deixou com uma baita saudade do meu pai, que está lá longe de mim :(

Beijo para você.

Larissa disse...

Um conto digno de muitos aplausos e muitos sorrisos. Adorei a doçura com que escreveu. Com o decorrer do conto, pude ver toda a cena. E foi bonito. Nunca tinha visto por esse "ângulo". Nem pensado sobre. Gostei muito, muito mesmo.

Um beijo, Alê.

Srtª Elis° disse...

aii esse seu blog me le......srs nossa que coisa mais perfeita viu....
ahh que falar muita luz sempre.... um xero bem grande ....sr!

Luzia Medeiros disse...

Afff quase chorei, pois irei ficar distante de uma pessoa muito especial, um grande amigo, quase um amor rsrsrsrsr e você falou tão lindamente em distância, me arrepiou, me encantou profundamente, aliás suas palavras sempre emocionam.
Um beijo.

Bandys disse...

Que lindo conto!
Aprendi amar a distancia quando meu pai morreu e eu estava com 15 anos. Mas acredito que tudo vem pra ensinar e foi atraves dessa perda que aprendi que longe é um lugar que não existe;

Um beijo carinhoso pra vc e o desejo de uma semana repleto de luz.

Autora disse...

Que texto gostoso de ler,cativante!!Uma relação entre pai e filho,ensinamentos sobre a vida,e principalmente sobre a distância!
Muitas vezes nós não gostamos da ideia de ficar longe de alguém,e nos perguntamos porque a distancia existe.
Esse post é lindo,é especial!

Andréia . disse...

eu amo o Sol.
Sempre delicioso te ler.
Uma semana abençoada
beijos

Evelyn Dias disse...

Que lindo Alê. Adorei seu texto, enquanto lia eu pensava na nossa amiga Lia. Não sei porque isso, mas aconteceu. Suas palavras são um encanto... Um abraço.

:: Mari :: disse...

Alexandre, que lindo!

Foi uma mistura de sentimentos e sensações ao ler este conto maravilhoso... Emoção pura!
Lembrei de meu pai, de muitos momentos vividos com ele, é meio indescritível, mas é bom demais.
Obrigada por me proporcionar essa bela lembrança.

Deus te abençoe e te inspire cada vez mais.

Bjos

Anônimo disse...

Conheço a Carol, ela escreve muito bem mesmo, gosto muito. Ela passa lá no blog vez ou outra também.
òtimo texto para a data que se aproxima. Um beijo, moço.

Carla Dias disse...

Meu bem, como é bom ver que ainda lembra-se de mim, viu? rs
O coração encheu de alegria quando eu li seu comentário em meu canto. Estava com a vida um pouquinho corrida, sem tempo pra quase nada, mas estou voltando aos poucos, aqui.

Um beijo sempre grande.

Alien disse...

Nem sempre proximidade física é a afetiva. Muito bem contado (e inspirado), e emocionante!

Boa semana meu querido!